
Escola Tico e Teco Objetiva
A Escola Tico e Teco nasceu de um sonho de duas professoras, que no início de suas carreiras,decidiram seguir na difícil tarefa de educar crianças.
Fevereiro de 1977,duas professoras que se conheceram no Colégio Cardel Arcoverde, já lecionando no mesmo colégio, entre elas surgiu a idéia de colocar uma escolinha.
Conversamos entre parentes e amigos uns aprovavam, outros pessimistas não acreditavam, fomos em frente, aparentemente fortes, corajosas mas lá no fundo do nosso coração tímidas e receosas.
Primeiro passo foi procurar Sr° Arcanjo, na rua Idelfonso Freitas, para encomendar as banquinhas. Na época coube para cada uma de nós 2.500,00 Cruzeiros, eu estava feliz por que nas minhas economias tinha essa quantia guardada.
Estava vencida a primeira etapa, a próxima seria procurar o local desta escola.
Maria José havia lembrado de uma grande amiga de infancia, Tânia Mª. Gomes de Lima e Souza que morava na Leonardo Couto,84.
Tânia pessoa maravilhosa acatou a nossa idéia de imediato nos cedeu a casa dizendo: " A casa é de vocês, façam o que for preciso ".
Providenciamos a mudança de Tânia para um apartamento no final da casa.
A atitude de Tânia foi realmente de uma irmã amiga, que não podemos esquecer e dizer que ela foi e é muito importante para nossa escola.
Felizes por iniciarmos nosso sonho, o que nos preocupava, naquele momento, era como iríamos pagar o primeiro aluguel da casa.
Como idéias e coragem nunca nos faltaram, graças a Deus, Criamos de imediato um curso de Recreação para o mês de Dezembro cuja renda deste curso daria para pagar o primeiro aluguel desta escola. Mais uma etapa resolvida, seguimos com todas as nossas criações.
O Sr Anastácio que nos ajudou muito com o caminhão da prefeitura cujo prefeito na época era Sr Áreo Bradley, o Sr Joel Vilela era secretário de obras. O tio de Maria José nos ajudou bastante, sempre nos cedendo caminhão para nossas mudanças e compras, etc.
Os primeiros brinquedos feitos artesanais, porém feito com muito amor e carinho.
Chegava janeiro e era para se ver, a ansiedade era grande, para a escola faltava apenas o nome, foi quando Rosa Maria Cavalcanti Brito nos sugeriu colocar o nome de ESCOLA TICO E TECO, aceitamos de imediato este nome tão abençoado até hoje.
Entramos com o processo de preparar a documentação para o DERE e a secretaria de educação, para ser aprovado o funcionamento da escola, eram muitos documentos, Minha irmã VILMA que nunca e negou e fazia com muito prazer.
O preparo da documentação foi feito pelo PROF RABÊLO, ao qual agradecemos profundamente.
1978; FEVEREIRO
As matrículas começavam, Olhava para MARIA JOSÉ e mesmo insegura, lá dentro de meu coração existia uma grande esperança que dizia: “ ESTA SERÁ UMA ESCOLA QUE DARÁ PARA NÓS TODO ORGULHO DO MUNDO “
PRIMEIRA MATRÍCULADA
SHIRLEY MARCIEL DE AGUIAR, tão travessa quanto o TICO E TECO, filha de IRACEMA MARCIEL DE AGUIAR e LUIZ LOPES DE AGUIAR, ali com elavam todas nossas esperanças e todos os juramentos de nossa parte, que no fundo faríamos para dar o máximo e fazer com que cada vez mais nossa querida escola, nosso projeto de vida, nosso tudo crescesse e fosse conhecida, não apenas em nossa cidade, como a escola modelo, a escola amiga e porque não dizer a escola mãe.
Iniciamos com maternal, jardim I e II, preliminar, 1ª e 2ª.
1° DIA DE AULA
EU e MARIA JOSÉ chegamos muito cedo para dar os últimos retoques.
07h10min Entrava nosso primeiro aluno, abençoado e se tornou nosso mascote: OZIRES GOMES DUARTE, muito sapeca e pequenino.
Sentíamos que iniciava uma vida de total dedicação, chegávamos às 6 horas e saímos às 18 horas diariamente, a escola passou a ser nossa casa.
OS PRIMEIROS PROFESSORES
Comprometidos, dedicados e incentivados começavam a jornada de amor, aqui vamos citar alguns deles.
* MARIA DO CARMO
* MARIA DO ROSÁRIO
* LALINHA
* TERESINHA (JÁ FALECIDA)
* MARIA JOSÉ
* EU WALDETE MAGALHÃES.
PRIMEIRAS FESTAS
Vieram as festas. Páscoa, dia do índio no terraço da escola os meninos pintados, animados, enfim, lindos,
Dia das mães, festa maior, na AABB (hoje OLHO D`ÁGUA) decoração, lembranças tudo belo . Meu cunhado WALTER MAGALHÃES DE SOUZA, nos ajudou com as lembranças das mães que veio do ALTO DO MORA – CARUARU.
Agradeço a ele onde quer que esteja.
Maio de 1978, recebemos a visita do Sr Henrique, Gerente da Celpe, nos fornecendo umas bolsas do MEC, Ainda cismadas uma olhava para a outra, sem saber o que fazer, analisamos e aceitamos. Por sinal um convênio ótimo que vinha ajudar não só os filhos de funcionários da Celpe, mas também a outras crianças carentes que chegaram até concluir o 2° grau, em outros colégios, com estas bolsas despertava o nosso lado humano e sentíamos felizes em ver aqueles pais tão gratificados com aquela ação, hoje, nos sentíamos realizadas, em poder ajudar tantas crianças através de bolsas doadas por nós.
È muito gratificante poder acompanhas uma criança crescer, estudando, partindo para uma faculdade, se formando em medicina, engenharia, administração, advocacia e muitas outras e lembrar-se de mandar seus convites dizendo: “Você foi muito importante na minha vida“.
As lagrimas chegam a meus olhos e lá dentro do meu coração digo: “Eu o alfabetizei, segurei na minha mão quando estava dando os seus primeiros passos do saber, da leitura, da descoberta para o mundo cultural, neste momento, só podemos dizer:”Obrigada Senhor!”
Ainda em Maio de 1978 surgiam os primeiros probleminhas.
Os alunos que moravam distante, sentiam dificuldades de se transportar, surgiam os pedidos de um trasporte, quando através de Jorge Magalhães Filho, colocamos uma Variant que transportava os alunos do São Cristovão, Vila Popular, chácaras, etc.
Ele fazia isso com muito carinho, não posso negar a boa vontade que o mesmo tinha, pois fazia isso no intervalo de seu trabalho do Banco do Brasil.
Fomos pioneiros em transporte escolar em nossa cidade.
Jorge Magalhães cansado, passou o a atividade para Francisco Matias (Chiquinho), irmão de Maria José que comprou uma Kombi e prosseguil o trabalho com carinho e dedicação.
O PRIMEIRO SÃO JOÃO
Nosso primeiro São João foi um lindo desfile de carroças, muito colorido até o Esporte Clube de Arcoverde.
A rainha do nosso primeiro São João foi Georgeane Kelly Freitas, bela com um lindo vestido azul que combinava com seus olhos.
A princesa era a loirinha Adriana Modesto que era muito tímida e estava triste por que queria muito ser a rainha.
Com a renda da festa compramos nosso primeiro mimeografo a álcool
Que até hoje guardamos com muito carinho, apesar das coisas modernas que já temos.
MÊS DE JULHO
Férias para os alunos e professores, para mês não.
Era mês de colocar a escola em ordem, dinheiro não tinha muito para conservação do prédio e imobiliário.
Eu e Maria José caímos em campo, eu pintava todas as paredes e portas, Maria José pintava as bancas, não importava o cansaço o mais importante era a escola nova e bonita.
11 DE SETEMBRO
Primeiro desfile havíamos preparado com todo carinho, os instrumentos da banda eram emprestados de uma escola de Buíque cuja diretora era Maria Barros.
Dia do desfile os alunos já estavam em fila em frente a escola, quando caiu uma chuva grossa, acabando com o desfile daquela manhã.
Bastante ansiosas, desfile suspenso, haja correria, como fazer, se os instrumentos eram emprestados e tínhamos que entregar às 11 horas da manhã. Surgiu uma idéia corremos ao batalhão e pedimos instrumentos emprestados, à tarde a nossa escola brilhava em plena Japiassu e nós sorríamos de nossa felicidade, pois o fruto do nosso trabalho já era valorizado e aplaudido, na nossa querida cidade.
Acho que podemos e temos direito de chamá-la nossa cidade por que é assim que nos sentimos, Arcoverdenses de coração.
DIA DAS CRIANÇAS
Outubro dia das crianças. Mais ousadas, mais seguras, partíamos para o Esporte Clube para realização deste evento.
Decoração em de sonhos, lindos castelos, fadas, bruxinhas e lá no meio da festa, eu apesar de ninguém achar assim, muito tímida estava vestida de bruxa, com duas meninas também vestidas de bruxas (Claudine e Valquelúcia) abríamos a festa.
Quando se fala do Tico e teço, esqueço a minha timidez e por nossa escola dou tudo até mais do que tenho.
A noite estávamos cansadas, mais realizadas.
DEZEMBRO : PRIMEIRA TURMA DE DOUTORANDOS DO ABC
Lembro-me que o primeiro discurso do ABC à Nossa Sociedade Arcoverdense, foi feito por Valmira Magalhães de Abreu, por sinal, muito emocionante, meus agradecimentos à mesma pelo incentivo que sempre me deu.
Festa, decoração, colorido, madrinhas, oradores, em fim sucesso total.
Um ano se passava mais seguras, mais otimistas e totalmente acreditadas. A responsabilidade aumentava e tínhamos certeza de que seríamos mais cobradas.
SEGUNDO ANO A ESCOLA CRESCIA
No segundo ano já tínhamos até a 4ª e aquela tão amada casa, na qual tínhamos colocado a escola, ficava pequena, foi quando o incentivo de Jorge, que não posso ocultar, foi grande incentivador desta escola, resolveu através da Caixa Econômica Federal, começou a construir na Eutrópio Freire 47, a nova Tico e Teço.
No início sentíamos medo e nos questionávamos: “Meu Deus, será que as crianças vão acompanhar?“ Era mais uma expectativa.
CHEGAVA AGOSTO
Estávamos dando os últimos retoques até altas horas da noite, a escola estava linda, nova e muito bem decorada.
No dia seguinte, os alunos começavam a chegar e ali já dava para sentir que voltaram todos e que os pais acreditavam realmente em nós e que a distância não era importante, que o mais importante era a aprendizagem e a dedicação que tínhamos.
A responsabilidade era grande, tínhamos obrigação de melhorar cada vez mais, era uma questão de honra para que os que em nós acreditavam
Os anos se passando e tivemos orgulho de educar nossos filhos na nossa escola,sem aquela proteção exagerada de mãe, eles foram alunos como todos os alunos que passaram por nós.
Brincadeiras nos treinam para ingressar no mundo das pessoas crescidas, que hoje ocupam-se de destruir brincadeiras Nas noites de mentirinha dos nossos jogos, embalávamos nossas bonecas com as cantigas que as mulheres da nossa primeira infância haviam cantado para nós. Sabíamos perfeitamente que aquilo tudo não era real, embarcávamos nessas mentirinhas porque o mundo dos adultos nos fascinava. Nele as pessoas tinham altura, e manipulavam objetos que eram importantes para os outros: elas transformavam gêneros alimentícios em comida que saciava, panos em roupas utilizáveis, tijolos em casas nas quais se podia morar de verdade, e notícias em jornais que eram lidos. Achávamos bonita a seriedade dos adultos, as trocas que cada um deles realizava com muitos outros, a capacidade que eles tinham de ganhar um dinheiro convertível em uma multiplicidade de mercadorias. Não sabíamos que nossas brincadeiras nos treinavam para ingressar nesse mundo das pessoas crescidas, queríamos apenas curtir realidades misteriosas e dignas, e não impúnhamos nossas mentirinhas a ninguém. Acontece que, após ter passado do outro lado da barreira e enfim ter atingido a idade do adulto, será que alguns indivíduos esqueceram sua infância? Será que não brincaram o suficiente? Continuam ocupando-se com brinquedos de crianças, mas para modificá-los. Eles chegam a destruí-los às vezes (de verdade, e não de mentirinha), achando que proceder assim é a maneira mais correta possível. E parecem fazer isso porque esses brinquedos lhes inspiram medo. Esses adultos, que geralmente são educadores, se preocupam, por exemplo, com a letra de cantigas de roda. Assim, segundo eles, não se deveria mais cantar: 'Atirei o pau no gato/ Mas o gato/ Não morreu/ Dona Chica/ Admirou-se/ Do berro/ Que o gato deu', mas sim: 'Não atire o pau no gato/ Porque isso/ Não se faz/ O gatinho é nosso amigo/ Não devemos maltratar os animais'. O motivo desta censura? O receio de que a letra original fomente comportamentos violentos nas crianças! Há violência na letra original desta cantiga? Capto nela o ato de contrição de uma criança impulsiva que, irritada ou assustada, atirou algo num gato, mas, para alívio de sua consciência, não chegou a matá-lo, como pôde inclusive testemunhar a dona Chica que ouviu o berro do animal. Não teríamos aí justamente um belo instrumento para lidar com esse lado violento que existe em cada ser humano? Com sentimentos de medo, de raiva, de impaciência, e até com impulsos cruéis?